Tuesday, April 5, 2011

Preciso de um novo caderno para desenhar, um diário gráfico para me fazer sorrir.

Thursday, March 24, 2011

Assaltaste o meu cérebro, levaste o meu raciocínio e lógica, deixando-me perdida com a euforia. 

Tuesday, March 22, 2011

Fase 01, o nascimento da medusa.

Thursday, March 17, 2011

Gostas de passear à minha frente para me dares a volta, com as tuas sardas que brilham no escuro.

Saturday, March 12, 2011

"I’m here. I love you. I don’t care if you need to stay up crying all night long, I will stay with you. There’s nothing you can ever do to lose my love. I will protect you until you die, and after your death I will still protect you. I am stronger than Depression and I am braver than Loneliness and nothing will ever exhaust me."
Vamos rezar pelo Japão.

Friday, March 11, 2011

    Novos projectos, a vida da perspectiva de um globo de neve.

Wednesday, March 9, 2011

As ruas nunca vão perder o teu cheiro, a cada passo dado nelas só me aproximo mais daquela que me pareces ser tu, vais ai ao fundo sempre a tropeçar com a tua camisola florida. Por mais que te chame não me pareces ouvir, o mundo abrange-te tanto que ficas vidrada nos mais simples pássaros e no céu, sobre os quais mais tarde me contas historias:

-"Mónica uma vez em Lisboa vi um pássaro a embater num prédio"
As quais costumo dar respostas como:
-"Eu estava lá contigo, lembras-te?"

Tuesday, March 8, 2011

Fotografia, artista portuguesa, Japão, olhos, uma máquina pode-nos ser inteiramente fiel, utilizar correctamente a visão, fotógrafa profissional de moda/retratos, "Se os prédios de Lisboa anda se mantém de pé, os artistas existirão sempre. A degradação de cada artista é um toque pessoal para a existência de toda a arte decadente em todos os seres humanos."

Podes parar de procurar, estou bem mais perto do que julgas.

Sunday, March 6, 2011

O sangue parou de correr, e a partir daquele momento soube que não queria que voltasse mais.

Tuesday, March 1, 2011



O regresso é sempre algo estranho. Será que a mudança foi muita?

Wednesday, October 13, 2010

André Gengibre

A simpatia de um estranho de testa alta e face peluda!

Monday, October 11, 2010

-By wunderkindjellygraph

Projecto Chão (Continuação)

Redescobrindo Lisboa dentro das suas carcaças. No edifício 18 da Rua da Trindade.
 
Quando se trata da produção de um evento cultural, a primeira questão fundamental é a escolha do espaço onde terá lugar. Reflicta-se. Qualquer um de nós, enquanto público, para além de saber ao que vai, pretende, no momento selectivo da decisão de investir ou não algum do seu tempo e dinheiro, saber “onde vai”.

Uma actuação dos Chemical Brothers é sempre uma actuação dos Chemical Brothers, mas se a mesma acontecer na estação do Rossio, então é algo mais que uma simples actuação dos Chemical Brothers. É um exemplo perfeito de como o espaço pode surpreendentemente jogar a favor de um evento.

Note-se que o conteúdo do evento em si se deteriora radicalmente, dadas as tremendas condições acústicas de um espaço como uma grande fábrica vazia, uma igreja ou… uma estação de comboios! No entanto, qualquer Lisboeta que tenha assistido ao evento recorda-o como um dos melhores concertos de sempre, tendo já esquecido o concerto dos Scissor Sisters a que assistiu apenas dois meses antes.

Atravessar o Verão Lisboeta percorrendo os jardins da cidade em lânguidas tardes domingueiras ao som de “jazz com dj” é outro exemplo de uma simples ideia transformada num evento de especial sucesso e que tem garantido a repetição do Pleno Out Jazz Festival nos últimos anos na nossa cidade. Já encontrar exemplos de insucesso é missão mais complicada pois, por definição, estão condenados ao esquecimento. Mas ainda assim não é difícil recordarmo-nos de quantos bares e discotecas, ainda que assegurando uma programação musical tão boa ou melhor que a proposta durante o período invernal, vêm os seus esforços esvaídos numa casa vazia durante as noites de Verão. O que levaria a reflectir sobre as oportunidades criadas, se espaços nocturnos fechados e espaços ao ar livre unissem esforços criando parcerias entre si.

Pense-se na zona fluvial Lisboeta de Santa Apolónia ao Bairro-Alto esticada ainda até Santos transferindo-se nos meses calientes para as linhas costeiras de Belém a Cascais e Margem Sul do Tejo, num contexto de coerência em termos de qualidade da programação musical oferecida. Dito de forma mais simples aqui entre nós. Se tantos dos bares e discotecas do Bairro e Cais-do-Sodré se acasalassem com os locais daquela linha que do Cais leva até Belém, poderíamos no Verão passar as noites à beira-rio sem necessariamente sermos submetidos a programações musicais de escolha duvidosa.

Como aliás se faz em grande parte das grandes metrópoles urbanas europeias, em que as mais bem sucedidas discotecas se associam a espaços abertos para onde no Verão transferem as suas programações e conceitos estéticos. Mas deixemos para já de lado estas considerações sobre o mundo e o business dos clubs nocturnos. Em moldes naturalmente diferentes, estas mesmas considerações podem ser tiradas no domínio das outras disciplinas artísticas para além da música. Por exemplo, numa exposição no âmbito das artes plásticas, na qual questões técnicas ligadas somente à iluminação do espaço podem comprometer o sucesso do evento independentemente da qualidade artística do seu conteúdo: as obras expostas. O local do evento é portanto uma faca de dois gumes. Tanto pode assegurar, como arruinar o sucesso de um evento cultural, a prescindir da disciplina artística envolvida. A prescindir na verdade do conteúdo artístico e/ou cultural do evento em si.

No projecto “Chão”, o centro das atenções é precisamente o espaço do evento. Mais, o espaço é a razão do evento. Após a primeira iniciativa em Setembro passado nos edifícios da Lx Factory, o Chão ocupa agora o edifício 18 da Rua da Trindade, em tempos integrado na área do Convento da Trindade.

A velha fábrica de Alcântara serviu de palco a um conjunto de projectos musicais experimentais onde os interiores desgastados e as velhas estruturas do complexo protagonizaram de forma inédita o palco criativo das ideias, através da exploração das particularidades acústicas (de impossível replicação virtual) do mesmo.
O percurso arquitectónico e histórico do número 18 da Rua da Trindade é tão rico quanto longo. O projecto Chão propõe-se agora a explorar os quase 700 anos de história do edifício, com um conjunto de iniciativas multidisciplinares focalizadas no espaço em si e na sua história. Debates no âmbito da arquitectura, oficinas de desenho, arte urbana e, claro, divagações sonoras com fartura desde o puro experimentalismo sónico, aos mares do free jazz, até à arte de “fazer música com um leitor de música” chamada gira-disquismo. E quem sabe mesmo dançar às portas do convento. Ou seja, uma verdadeira festa, não NO mas AO Espaço.

A iniciativa tem potencial e o programa promete. Resta senão que, desfrutando de uma veia questionadora que nada faria prever que de mim se apoderasse esta manhã, deixar um último ponto de reflexão. Não é fácil compreender porque seja a ocupação de espaços urbanos, por alguma razão ou segundo algum critério tidos como devolutos, uma acção social ainda com tão reduzida expressão na cidade de Lisboa. Não quando a oferta de espaços abandonados com condições perfeitamente regulares para o seu aproveitamento mais do que abunda. Quando as razões para uma procura expansiva desses mesmos espaços se agregam pelo somatório de ideias e potenciais projectos para esse mesmo aproveitamento. E quando a sugestão deste aproveitamento não é de todo aquela ideia ultra-radical-utópica e simplesmente se trata de fazer algo certo, como está mais que demonstrado por toda a Europa fora onde a bem sucedida prática de “ocupação artístico-cultural de espaços devolutos” não é novidade e envolve universos tão díspares como a arte sacra e o mundo da moda e do design, muitas vezes todos num só. Ganharia o público, os proprietários, a cultura e até, porque enfim é de isso que falamos, os próprios espaços.

Mas… já temos todos idade e juízo suficiente para saber que o mundo se move, por vezes, por “estranhas forças ocultas” que ao pequeno comum mortal se fazem sempre verdadeiramente ocultas.

-Via Rua de Baixo

Tuesday, October 5, 2010

É fácil chegar perto do fim, até mesmo deixar que ele me toque, não é que goste para ser sincera. Apenas já não me sei afastar dele(...)

Hyper Japan 2010



-By wunderkindjellygraph
"I remember when I met Tavuchi that she expressed that Harajuku is changing. It is becoming a "fast fashion" place now, and the true Harajuku that once was is slowly dying out. Thankfully, there are still plenty of interesting people that crawl through the backstreets, but will Koenji be the next early Harajuku?"
    
-By Lactose Intoler-Art
Eien ni anata no soba ni

Projecto Chão

É preciso alguma coragem para enfiar a mão num algeroz entupido. Mas pela arte faz-se tudo. Marta Lucas Galvão respirou fundo e retirou várias garrafas de cerveja e copos que tinham causado uma inundação na segunda exposição do Projecto Chão.

O dia para tal peripécia não podia ser pior: a abertura da exposição no número 18 da Rua da Trindade, em Lisboa. "Tínhamos arrumado tudo na véspera, mas como choveu imenso, houve uma inundação. Pensei em cancelar tudo. Mas depois de desentupir o algeroz, percebi que tinha resolvido o problema e que tínhamos condições para abrir", recorda Marta Lucas Galvão, escultora, e uma das fundadoras do Projecto Chão.

Os dez membros da associação Projecto Chão estão habituados a este tipo de aventuras. É que os eventos culturais que realizam não são propriamente no Centro Cultural de Belém ou na Gulbenkian. O Projecto Chão ocupa prédios devolutos ou em transição, para serem vendidos, e organiza actividades culturais tão diferentes como workshops de desenho, concertos de música industrial ou debates sobre urbanismo. Mas antes da arte, há todo o trabalho de organização e limpeza. Também se podia dizer que o Projecto Chão é especialista em reabilitar prédios cheios de pó, com quilos de sujidade e casas de banho disfuncionais.

Um nome de guerra Para a terceira exposição, que é inaugurada hoje no centro de Lisboa, não foi preciso nada disso. Desta vez, o Projecto Chão foi convidado pela curadora Filipa Valladares para ocupar um espaço no Chiado, depois da exposição de fotografia de Catarina Botelho lá ter estado. Por isso, estava quase tudo em ordem no prédio da livraria Bertrand, onde antes funcionavam os escritórios da editora.

À excepção da loja, os cinco andares, com cozinhas velhas, casas de banho, azulejos pombalinos e restos de escritórios, estão desocupados e à espera de ser reabilitados para habitação. Como bons ocupas, não mudam o que encontram. Até lá está um interruptor branco para chamar os empregados. O aparelho devia pertencer a um chefe muito stressado, pois cada botão tem um etiqueta com o nomes dos empregados. Mas tanta tecnologia está muito longe da origem do prédio. O edifício data de 1773 e só por isso vale a pena uma visita ao espaço.

Como no Projecto Chão são os locais a ditar as exposições; só depois da primeira visita é que começaram a pensar no que iam fazer. "Estamos no Chiado, um bairro que sempre esteve ligado à cena literária. Aqui ao lado no São Luiz, o Almada Negreiros apresentou o célebre manifesto futurista. Por isso, decidimos fazer uma abordagem através da palavra escrita, inscrita e dita", explica Marta Lucas Galvão. A peça de Ernesto de Sousa "Almada, Um Nome de Guerra" é a base para a instalação de Paulo T. Silva. Mas há mais. Do programa fazem parte debates e um workshop de tipografia. Tudo até dia 29 de Julho.

militância Uns chamam-lhe hobby, outros uma causa ou até militância. O que é certo é que o Projecto Chão não tem apoios de ninguém, muitas vezes não cobram entrada e quando o fazem, reverte tudo a favor dos artistas convidados. "Acho que as pessoas estão fartas de esperar que façam as coisas por elas. Já se percebeu que não vai haver dinheiro, nem espaços. Se os artistas querem mostrar o que fazem, têm de se mexer", explica Miguel Sá, de 36 anos, editor, músico e designer gráfico. Ainda podíamos juntar mais umas quantas profissões à descrição, tal como o resto dos companheiros do Chão. Nuno Bernardino, de 36 anos, é professor, DJ e tradutor, Susana Ribeiro Martins, 32 anos, é jornalista, animadora cultural, tradutora e fotógrafa. Ana Reis, de 26 anos, trabalha na FNAC e encontrou no Chão a oportunidade de pôr em prática o que aprendeu no curso de História de Arte.

Descentralizar O núcleo central do Projecto Chão conheceu-se em 2004, no Festival Em Trânsito. Depois disso, ficou o gosto de fazer algo com as casas abandonadas. "São espaços subtraídos à cidade, muitas vezes no centro. Queremos ir lá espreitar e abri-los ao público. Mas é tudo legal, temos autorização para aqui estarmos", diz Susana Ribeiro Martins.

O Chão nasceu em 2007, mas as duas primeiras tentativas de ocupação falharam. Foi preciso esperar até Setembro de 2008 para conseguirem uma oportunidade. "A nossa ideia é adaptarmo-nos às circunstâncias que encontramos. O que quer dizer que nunca teremos dois projectos iguais", explica Nuno Bernardino. Foi isso mesmo que fizeram na Lx Factory, situada no antigo complexo fabril em Alcântara. Por lá passaram a Companhia Industrial de Portugal e Colónias, o Anuário Comercial de Portugal e a Gráfica Mirandela. Por essas razões, o primeiro projecto do Chão tinha de juntar arte e indústria. "Antes de decidirmos o que íamos fazer, investigámos a história do local. Passei o mês de Agosto na Biblioteca Nacional, onde descobri uma fotografia de Joshua Benoliel, sobre uma manifestação de operários e patrões, em 1910. Achamos aquilo estranhíssimo, porque era uma manifestação completamente diferente do que estamos habituados. Desta vez, era de apreço pela administração", conta Susana Ribeiro Martins.

O programa na Lx Factory incluiu concertos de música industrial, filmes e uma ronda nocturna pelo espaço. "Podemos fazer coisas fora do comum, que seriam muito difíceis noutros locais. Por exemplo, uma linha de montagem feita por 21 músicos de electrónica, cada um ligado ao laptop do vizinho", conta Miguel.


-Por Vanda Marques , Publicado em 22 de Julho de 2009